Crefito5 e coordenadores dos cursos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do RS são contra a Educação à Distância!

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O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 5ª Região convocou os coordenadores de curso do Estado para um encontro que debateu a Educação à Distância na graduação de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional.

Para iniciar o evento, foram convidados os conselheiros do Crefito10, Rita de Cássia Paula de Souza e Juliano Tibola, que falaram sobre o histórico da Educação à Distância, as diferenças entre o ensino semipresencial e a Educação à Distância, os riscos desse tipo de conduta educacional na Fisioterapia e na Terapia Ocupacional, os decretos e resoluções que regulamentam a questão no Ministério da Educação e no Conselho Nacional de Saúde, as perspectivas para o futuro e algumas questões para reflexão.

Hoje, no Brasil, existem 800 cursos de Fisioterapia e 83 de Terapia Ocupacional. Desses, 24 de Fisioterapia e dois de Terapia Ocupacional são em EAD. Dados revelam que 97% das vagas EAD disponíveis no Brasil estão locadas no setor privado. Na saúde, o número é menor em função da forte luta dos conselhos profissionais para controlar esse crescimento.

Segundo Juliano, as vagas oferecidas na Educação à Distância não estão diretamente relacionadas às necessidades nacionais de profissionais, isto porque ainda hoje existe dificuldade em preencher as vagas presenciais nas universidades brasileiras. Ou seja, tudo leva a crer que o principal motivo para a abertura cada vez maior de vagas na EAD, é a lucratividade do negócio.

Conforme o Ministério da Educação, nos cursos semipresenciais da modalidade EAD todas as disciplinas ocorrem à distância, mas a frequência dos encontros presenciais é maior do que na modalidade EAD tradicional. Os encontros presenciais ocorrem nos polos de apoio, que devem contar com salas de aula, laboratórios e toda a infraestrutura necessária. Rita coloca que a fisioterapia e a terapia ocupacional exigem um alto investimento em laboratórios e equipamentos de ponta e questiona: como oferecer essa mesma qualidade com baixo investimento?

Para refletir, os palestrantes colocaram algumas questões para os coordenadores:

- Levando em consideração as exigências do MEC, a educação superior dos cursos da saúde na modalidade à distância é viável?

- Como desenvolver o lado humanístico e profissional à distância sem o contato com o indivíduo?

- Quantos ambientes profissionais seriam necessários para as práticas ou estágios com mais de 500 estudantes?

- Os polos de educação à distância manterão infraestrutura física, tecnológica e de pessoal adequada aos projetos pedagógicos dos cursos ou de desenvolvimento da instituição de ensino?

Para encerrar, foi apresentada a Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 581 de 22 de março de 2018, que altera a Resolução nº 559, publicada em 18 de setembro de 2017 nos seguintes assuntos:

Estágio: O estágio curricular obrigatório deverá ser realizado sob acompanhamento e avaliação de professor orientador fisioterapeuta, preferencialmente nos cenários do Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo ao estudante conhecer e vivenciar as políticas públicas de saúde em situações variadas de vida, de organização do sistema de saúde vigente e do trabalho interprofissional, em equipe multidisciplinar;

Supervisão: No caso de supervisão exercida também por fisioterapeuta do serviço de saúde, deverá ter acompanhamento presencial e diário do professor orientador fisioterapeuta, conforme posto na legislação vigente sobre o estágio, contribuindo, assim, com o processo de Educação Permanente, tanto do profissional do serviço, quanto do docente;

EAD: Revoga os parágrafos 1º, 2º e 3º do inciso VI, Artigo 10, ficando a formação do bacharel em Fisioterapia devendo, impreterivelmente, ocorrer na modalidade de ensino presencial, visto a aquisição de habilidades e desenvolvimento de competências inerentes ao cuidado em saúde e segurança do paciente.

Após a palestra, os coordenadores foram divididos em grupos para discutir a questão da EAD e, para encerrar o evento, foi elaborado um documento conjunto que reuniu as considerações dos grupos para justificar o posicionamento contra a Educação à Distância.

Clique aqui para ler o documento na íntegra.

O documento, conforme o presidente do Crefito5, Fernando Prati, será divulgado não só para a população, mas para os gestores públicos e privados, para os governantes e outros públicos interessados. Além disso, será realizada campanha de abrangência regional nas grandes mídias para conscientizar a sociedade como um todo dos riscos que a Educação à Distância nos cursos de graduação em Fisioterapia e Terapia Ocupacional oferecem. “É importante que a sociedade esteja ciente que um profissional formado à distância não terá a mesma qualidade de ensino que um profissional formado presencialmente”, encerrou o presidente.

Estiveram presentes representantes das seguintes instituições: FEEVALE, IPA, PUCRS, UCPEL, UFPEL, UFCSPA, UFSM, ULBRA CANOAS, ULBRA SANTA MARIA, UFN, UNIPAMPA, UNIVATES, UPF, UNIRITTER, UNISINOS, URI ERECHIM, UNICNEC, ANHANGUERA CAXIAS DO SUL.