Encontro debate legado deixado pela Copa em Porto Alegre

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O legado deixado pela Copa do Mundo em Porto Alegre foi o centro do debate “A Copa Passou. E agora?”, promovido pela Câmara de Defesa da Sociedade do Fórum dos Conselhos e Ordens das Profissões Regulamentadas do RS (Fórum RS). O evento ocorreu na última quinta-feira, 11 de setembro, no Auditório Oscar Machado do Centro Universitário Metodista IPA, em Porto Alegre.

Participaram do encontro o presidente do Conselho dos Cidadãos Honorários de Porto Alegre, Alberto Kraemmerer; o presidente do Fórum Latino Americano de Defesa do Consumidor, Alcebiades Santini; o diretor do Departamento do Comando Integrado da Secretaria de Segurança Pública do Estado, coronel Antônio Scussel; o presidente do Fórum RS, Flávio Koch; o diretor de Controle e Fiscalização do TCE-RS, Leo Arno Richter; o presidente do CREA-RS, Luiz Alcides Capoani; e o vice-presidente de Relações Institucionais do CRCRS, Pedro Gabril Kenne da Silva.

Sob a mediação do jornalista Alexandre Appel, os debatedores apresentaram seus pontos de vista relacionados ao legado deixado à capital pelo Mundial de Futebol que ocorreu em junho, especialmente em relação às áreas da saúde, controle social da gestão pública, fiscalização do andamento de obras, segurança pública, fiscalização das contas públicas e os impactos do evento no setor imobiliário.

Em seu pronunciamento, Pedro Gabril comentou a importância dos Observatórios Sociais para o acompanhamento da gestão pública, uma vez que esses são instrumentos para a participação direta dos cidadãos na política social. “Os Observatórios Sociais dão à sociedade civil a oportunidade de transformar a indignação da população em ações que contribuam efetivamente para o controle dos gastos públicos”, comentou. Ele lembrou ainda que municípios, estados e União têm a obrigação de divulgar seus dados de gestão por meio de seus portais transparência.

Luiz Alcides Capoani defendeu que a educação, inclusive nos pequenos atos do dia a dia, é o caminho para solução de muitos problemas existentes na sociedade. Quando questionado sobre as obras da Copa, Capoani defendeu os engenheiros ressaltando a importância dos projetos. “Como fazer grandes obras sem projeto? É preciso ter pesquisas, cronograma, tempo. A maioria das obras da Copa em Porto Alegre foram feitas sem projeto”, argumentou o presidente do CREA-RS.

Segurança foi o assunto debatido pelo coronel Antônio Scussel. Segundo ele, o sistema de segurança precisa ser repensado. O coronel informou ainda que a Copa trouxe melhorias na estrutura do setor de segurança pública, principalmente no que diz respeito à capacidade de videomonitoração. “Antes da Copa, tínhamos cerca de 138 pontos da cidade monitorados por câmeras. Depois da Copa, houve uma ampliação dessa capacidade. Hoje, são mais de mil pontos espalhados pela cidade”, explicou.

Leo Arno Richter, também falou sobre as obras e os custos disso para os cofres públicos. Segundo ele, 933 milhões de reais foram envolvidos apenas nas obras para a Copa do Mundo. Além disso, o diretor de Controle e Fiscalização do TCE-RS disse que um dos pontos positivos do evento mundial foi o fortalecimento dos órgãos de controle, trazendo uma economia antes mesmo que os gastos fossem feitos.  “O TCE fiscalizou todas as etapas das obras. Essa atuação prévia e concomitante permitiu que aproximadamente 70 milhões não fossem desviados”, afirmou.

O presidente do Fórum-RS, Flávio Koch, falou sobre alguns prejuízos que vieram junto com a Copa, principalmente no comércio. “A maioria dos turistas que vieram para Porto Alegre não consumiram quase nada e não se hospedaram em hotéis. Isso gerou uma retração do mercado, prejudicando muitos comerciantes”, afirmou. Flávio Koch fez ainda um pedido ao público presente: “Discutam e analisem os problemas da cidade. Participem da sociedade de forma ativa”, finalizou.