Fisioterapia Brasileira destacou-se nos Jogos Olímpicos Rio 2016

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As Olimpíadas Rio 2016 e as performances dos atletas levaram muitos fãs ao delírio. Os dias foram emocionantes e, a cada medalha, heróis de várias nações receberam homenagens e suas histórias de vida foram narradas. À sua maneira, todos acabaram sendo conquistados pela garra, perseverança, sacrifício e, muitas vezes, superação.

Nesses momentos descobrimos as peças que compõem a engrenagem e, assim como a Construção de Chico Buarque na abertura dos jogos, fomos introduzidos aos outros atores, aos responsáveis pela saúde e bem-estar dos competidores.

Na Vila Olímpica, por exemplo, a Fisioterapia assegurou seu lugar e, há 16 anos, em sua 5ª Olimpíada, o fisioterapeuta responsável do Comitê Olímpico do Brasil (Time Brasil), Henrique Jatobá, foi um dos incumbidos a garantir esse espaço e, junto a tantos profissionais, consolidar importância da Fisioterapia na vida do atleta.

Com 21 anos de formação, e tendo sido também atleta, Henrique Jatobá, salientou a responsabilidade do trabalho e os desafios impostos. “A nossa missão é contribuir da melhor forma possível para que o atleta possa competir em igualdade com os seus adversários”, enfatizou, ao descrever a importância do preparo físico, da promoção de saúde e da prevenção de lesões.

No total foram 10 fisioterapeutas credenciados e outros cinco em bases não credenciadas, cuja atuação compreendeu todos os atletas brasileiros na competição. Além deste serviço de suporte, houve também fisioterapeutas nas delegações.

Qualificação

Os grandes eventos permitem uma maior exposição aos envolvidos e, ao mesmo tempo, ressaltam carências e excelências. De acordo com Henrique Jatobá, as Olimpíadas acentuaram a necessidade de mais fisioterapeutas esportivos, oportunizando espaço à estimulação da capacitação profissional. Além disso, ofereceram uma visão mais ampla do nível do profissional brasileiro, expondo méritos e defeitos. Para ele, apesar do alto número de cursos de formação, ainda é necessário maior investimento na qualidade, principalmente pela falta de conhecimento em relação às diferenças entre um paciente habitual e um atleta de alta performance.

Demanda

Outro ponto ressaltado pelo fisioterapeuta foi o crescimento do esporte brasileiro, e não apenas os de alto rendimento, mas também os praticados pelo cidadão comum. “Há aumento na demanda por profissionais. As pessoas têm praticado mais exercícios, buscado informações e profissionais qualificados para atendê-las e orientá-las”, completou.

Diferencial

“A Fisioterapia brasileira é a melhor do mundo. Tenho contato com colegas de outros países, mas o que podemos perceber é que a terapia manual, avaliação detalhada e a abordagem manual são os nossos diferenciais. Nos destacamos pelo detalhe do toque, da mão, da sensibilidade, da possibilidade de tratar com recursos manuais”, enfatizou o Dr. Henrique Jatobá. Depois de mais de uma década convivendo com vários profissionais ao redor do mundo, o intercâmbio proporcionou comparação em relação à atuação dos fisioterapeutas e, embora existam países com formação similar, muitos outros optam preferencialmente pela utilização de equipamentos e, consequentemente, oferecem pouco contato com o atleta.

Espaço assegurado

Para o fisioterapeuta do Time Brasil, a Fisioterapia ocupou um espaço definitivo dentro de uma delegação e fundamental dentro de uma comissão técnica. “Hoje, o atleta não se vê mais sem essa assistência”, comemorou Henrique Jatobá.

Segundo ele, o fisioterapeuta tem uma visão mais dinâmica e analisa mais a função, inclusive, o gestual. Isso faz com que seja possível detectar mecanismos lesionais relacionados aos gestuais incorretos, ou à repetição em excesso durante a prática da modalidade esportiva.

Vida esportiva prolongada

Um dos principais problemas apontados por Henrique Jatobá é a falta da informação de que o trabalho da Fisioterapia na base pode ser de extrema relevância à duração da vida esportiva do atleta. Para ele, a partir do momento que o fisioterapeuta começa a atuar no campo de treinamento, junto com o técnico e preparador físico, é possível analisar a quantificação, as repetições e a intensidade do treinamento, e, com isso, adotar estratégias de prevenção. “Diariamente com o atleta, vendo-o treinar, a rotina e o volume de treinos nos permitem intervir e prevenir lesões”, afirmou.

Educação

A educação do atleta quanto à importância dos profissionais de saúde também é fundamental. Apesar de uma vasta atuação na parte de promoção e prevenção, muitas vezes o primeiro contato do atleta acaba sendo após a lesão. De acordo com Henrique Jatobá, é fundamental a inserção do fisioterapeuta na base, quando o atleta está dando os seus primeiros passos. Assim, o profissional conhece as vantagens, passa a utilizar os serviços e pode ter mais qualidade de vida e mais tempo de atuação.