I Fórum de Saúde Prisional discute papel da Terapia Ocupacional

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No último dia 18 de julho tivemos o I Fórum de Saúde Prisional do Crefito5. O evento teve participação de Terapeutas Ocupacionais de todo o estado do RS e palestrantes de outros Crefitos e Coffito. O presidente do Crefito5, Dr. Fernando Prati, realizou a abertura do evento e falou sobre o recente caso do Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) Maurício Cardoso, que foi denunciado ao Conselho em virtude das precariedades e a falta de recursos físicos, materiais e humanos em seu dia a dia. Dr. Prati afirma: “É uma causa das terapeutas ocupacionais e da sociedade e é uma bandeira que o Crefito5 está trazendo”.

Dr.a Luziana Maranhão, vice presidente do Coffito, abriu sua fala parabenizando o Crefito5 pelo evento. Ela apresentou o cenário da população carcerária brasileira, cuja maior parte é constituída de jovens entre 18 e 24 anos. Isso, de acordo com a palestrante, é resultado da falta de políticas públicas: “Os jovens acabam não encontrando respostas na sociedade e se voltam para o crime”, afirmou.

Em seu discurso também foi pontuada a escassez de terapeutas ocupacionais para atender às demandas e a necessidade de uma articulação maior junto ao MEC para uma maior abertura de cursos na área. Ela finalizou sua apresentação afirmando: “A Terapia Ocupacional tem muita capacidade de mudança para atuar nesse cenário. Precisamos acreditar nisso”.

A fala seguinte, da psicóloga Dra. Renata Panichi, Coordenadora da Saúde Prisional no Estado do RS, iniciou mostrando um pouco do cenário atual do sistema prisional do Rio Grande do Sul, mostrando inclusive uma linha de tempo do setor. Foi apresentado o caso de Três Passos, onde criou-se uma unidade de Saúde dentro do presídio, aumentando a eficiência dos atendimentos.

Já no panorama da terapia ocupacional no sistema prisional, foram chamados representantes dos Crefitos presentes: Dra. Paula Maria Passos dos Santos, do Crefito2, Dra. Regina Aparecida Rossetto Guzzo, do Crefito3, Dra. Mônica Thomé, do Crefito5 e Dr. Lourival Jaime, do Crefito10. Foram apresentados os cenários em cada uma das regiões e as respectivas experiências e dificuldades de cada um. A falta de espaço para esses profissionais atuarem no sistema foi pontuado por todos os palestrantes. Clori Pinheiro, presidente da ABRATO, salienta que, neste momento, a sociedade está discutindo a privação de direitos humanos, como maioridade penal, o que é mais um motivo para uma maior participação do terapeuta ocupacional nesse sistema.

Dra. Letícia Neves Zambonato apresentou sua pesquisa no painel “O impacto do tratamento no cotidiano dos apenados sob a ótica dos profissionais que trabalham no instituto psiquiátrico forense Maurício Cardoso 2014”. O estudo trouxe algumas questões importantes, como o relato de profissionais do local dizendo que acabam tendo que atuar de forma básica, pois suas preocupações prioritárias se referem a condições básicas. Outro apontamento feito foi o de que muitas famílias não estão preparadas para receberem o ex-apenado e, com isso, esses indivíduos acabam tendo que retornar ao IPF.

Dra. Miriam Passos, na palestra seguinte, reforça o que foi apresentado por Letícia Zambonato, comentando que os pacientes sofrem um estigma da sociedade. O objetivo do trabalho que desenvolveu no IPF foi buscando a reclusão social dessas pessoas. Através da criação de projetos como o laboratório de atividades da vida diária, que era uma réplica de uma casa, o trabalho desenvolvido com uma equipe multidiscipinar visava ajudar o paciente a retomar sua autonomia em questões básicas. Além disso, também eram realizadas saídas acompanhadas e um incentivo à retomada do contato com as famílias, preparando-os para receber o egresso. Como resultado, reduziu-se o número de reinternações e aumentou-se as altas dadas aos pacientes.

Para encerrar, aconteceu um debate para discutir possíveis encaminhamentos do Fórum e foi definida a criação de um grupo de trabalho que vai dar andamento às demandas.