Oficina terapêutica cria confecção com sombrinhas usadas

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Uma oficina terapêutica onde sombrinhas usadas dão lugar a produtos como saias, aventais, sacolas e roupas para bichinhos de estimação. Nos grupos que funcionam terças e sextas-feiras, na equipe de saúde mental adulto da região Glória/Cruzeiro/Cristal, criatividade é o que não falta. Mas o mais importante é que tem amizade, escuta atenta e união. O serviço faz parte da rede de atenção psicossocial da Secretaria Municipal de Saúde e deu origem às Confecções Chuvisco. (fotos)

Cleusa integra a oficina há um ano e não esconde a alegria de participar. Após uma depressão que a levou ao fundo do poço, como ela mesma diz, bebendo e fumando três carteiras de cigarro por dia, hoje tem orgulho de contar que há um mês não põe cigarro na boca. Também parou de beber. “Retomei a minha vida com o acompanhamento que tenho aqui. Hoje, meus dois filhos têm orgulho de mim”, conta, feliz, a doméstica de 48 anos. Cleusa é acompanhada por psiquiatra e recebeu a indicação para participar da oficina terapêutica de trabalho e geração de renda. “No grupo, um apoia o outro, é um trabalho lindo, que ajuda muitas famílias. A gente consegue forças através do apoio e da amizade que encontramos nesse convívio”, completa.

A terapeuta ocupacional Vera Leonardi é a responsável pela formação do grupo, há quase três anos. “Começamos com quatro mulheres com histórias semelhantes de depressão, solidão, perdas familiares e medo de sair de casa, mas nenhuma com habilidades manuais. Então, a primeira atividade proposta foi pintura em panos de prato com moldes”, lembra Vera. O grupo evoluiu bastante a partir da chegada da artesã Maria Antônia, que superou a depressão e recuperou a autoestima, transformando-se em referência importante nas criações, entre tapetes com restos de tecidos, pinturas e peças em madeira. Atualmente, 26 pessoas participam das atividades, todas em acompanhamento pela equipe de saúde mental, sendo que as indicações de tratamento partem das unidades de saúde.

Vera relata que o trabalho possibilitou motivação e a construção de novas relações interpessoais, além de se dedicarem a algo produtivo e feito com prazer. “Há uma finalidade específica a cada integrante do grupo: uns precisam apenas conviver e sentirem-se integrados. Para outros, é importante produzir algo que dê retorno financeiro ou melhore a questão da cidadania”, afirma. Mas um ponto essencial, conforme Vera, é o bem-estar comum e o compromisso com o outro. “Se um integrante não está bem, todos se mobilizam para auxiliar no que puderem”, diz a terapeuta.

Fonte: Prefeitura de Porto Alegre

Foto: Cristine Rochol/Arquivo PMPA