Presidente do Crefito 5 manifesta-se sobre ensino à distância na área da saúde

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Há algum tempo vem sendo debatido em vários fóruns o ensino à distância. O Brasil de fato tenta resgatar uma prática antiga que era conhecida como “cursos por correspondência”. Os mais experientes certamente se lembram que era muito comum vermos nas revistas em quadrinhos as propagandas destes cursos, tais como: técnico em eletrônica, detetive particular, mecânico de automóveis dentre outros. Os organizadores destes cursos enviavam pelo correio a estes “alunos” os kits correspondentes para um suposto treinamento prático. Muitos aparelhos de televisão certamente foram danificados , os flagrantes pelos alunos detetive não tiveram sucesso e os cursos por correspondência aos poucos foram sendo
esquecidos. Os resultados negativos não alteraram a vida das pessoas e os poucos talvez positivos não foram o bastante para manter estes cursos.

Vemos agora uma investida ameaçadora autorizada pelo MEC que são cursos à distância – EAD na área da saúde. Algumas universidades com base ou não na Lei 9694/96 (LDB) lançam estes cursos abrangendo muitas profissões que pelo seu rigor acadêmico necessitam a contínua presença do aluno no ambiente como artífice da sua formação. As ciências básicas exigem a rotina presencial e o laboratório como instrumento didático pedagógico, dá a base do entendimento dos processos fisiológicos, anatômicos, histológicos e citológicos que sustentam um raciocínio clínico, essencial para a compreensão das intercorrências na área da saúde. A prática clínica, tão fundamental para a consolidação destes conhecimentos é construída no dia a dia da vivência acadêmica, seja pela troca de experiências entre colegas, seja pela proximidade com o professor, a biblioteca e os outros membros cotidianos na Universidade.

Tento compreender como poderá ser encaminhada uma prática de laboratório à distância em qualquer formação profissional na área da saúde. As Universidades são obrigadas a atender o rigor do MEC no que diz respeito, por exemplo ao seu aparelhamento. As constantes visitas das comissões de avaliação do mesmo MEC exigem o fiel cumprimento das normas, não apenas no campo administrativo e docente mas principalmente aos locais das várias práticas clínicas onde o aluno adquire competências e habilidades como já citamos, nos diversos laboratórios, nos campos de estágio em que o controle acadêmico é uma exigência. Neste caso, a presença de um supervisor de estágio experiente, docente da IES acompanhando o processo é a primeira destas exigências.

A saúde no Brasil exige uma responsabilidade maior dos gestores e formadores de profissionais na área. Há de se ter a competência para gerar soluções que venham a atender a demanda e não a possibilidade de maiores problemas aos já existentes.

Fernando A M Prati
Presidente do CREFITO 5