Terapeutas ocupacionais utilizam a Integração Sensorial para auxiliar no desenvolvimento infantil

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A primeira impressão ao entrar em uma sala de Integração Sensorial é de que você está entrando em um verdadeiro parque de diversões. Redes, bolas, piscina de bolinhas, pneus, rampas, parede de escalada, balanços, massinhas de modelar, túneis… São tantos elementos divertidos e coloridos que é impossível não sentir vontade de voltar a ser criança para poder aproveitar cada centímetro do espaço.

Mas cada um desses instrumentos lúdicos é pensado para estimular a criança de diversas formas diferentes dentro da Terapia de Integração Sensorial. É através deles que os terapeutas ocupacionais ajudam no desenvolvimento de crianças com os mais diversos diagnósticos, desde problemas de aprendizagem e comportamento, até casos mais específicos como  autismo, síndrome de down e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Segundo a terapeuta ocupacional Juliana Briani, em todos esses casos as crianças tem algum tipo de disfunção sensorial e através da Integração Sensorial é possível desenvolver a questão motora ampla, trabalhando o corpo como um todo, a interação, a participação, a troca de olhares, a brincadeira compartilhada com o terapeuta. “É um ambiente que exige imaginação, tem muitos desafios, parece tranquilo para qualquer criança, mas para algumas é muito difícil estar aqui porque tem muitos estímulos que despertam muitas reações como medo, nojo, intolerância e, muitas vezes elas não sabem como lidar com isso”, explica.

Em 1963, a terapeuta ocupacional, psicóloga e neurocientista, Jean Ayres, utilizou pela primeira vez o termo Integração Sensorial, um processo inconsciente do cérebro, responsável pela organização das sensações detectadas pelos sentidos que dá significado às experiências que vivemos através da seleção da informação que é relevante. Essa organização é que nos permite agir ou responder às situações adequadamente, para que tenham significado no ambiente em que vivemos.

No desenvolvimento da aprendizagem, além dos quatro sentidos clássicos (visão, audição, paladar e olfato), existem outros três que são muito importantes: o sistema tátil, que processa a resposta dos receptores da pele sobre o toque, pressão, temperatura e dor; o vestibular, responsável pelas reações ao movimento e equilíbrio; e o proprioceptivo, que determina como o cérebro interpreta a posição do corpo, peso, pressão, alongamento, movimentos e alterações na posição.

A terapeuta ocupacional Kátia Beidacki ressalta que precisamos receber e processar os estímulos do nosso corpo e do ambiente em que estamos inseridos para, a partir disso, construir uma ação, um comportamento, uma comunicação. “Quando a criança tem alguma disfunção sensorial, ela tem dificuldade de processar a informação recebida pelos sentidos, o que pode afetar o desenvolvimento e as habilidades funcionais, seja no comportamento, na parte motora, cognitiva, seja no nível emocional”, afirma.

Daniela Zimmer é terapeuta ocupacional e fonoaudióloga e atende pacientes com diversos diagnósticos. Para ela é preciso haver uma parceria entre a terapeuta ocupacional, a família e a escola, já que são esses os ambientes em que a criança vive. “Primeiro fazemos um perfil sensorial da criança, analisando junto com a escola e com a família quais são as principais deficiências sensoriais dela. Depois disso é traçado o perfil e identificado onde existe maior prejuízo no seu desenvolvimento. A partir disso é feita a observação e avaliação dessa criança para só então serem traçados objetivos a curto, médio e longo prazo que serão tratados durante a terapia de Integração Sensorial”, explica.

É através da Integração Sensorial que a criança vai organizar a entrada sensorial para seu próprio uso e o profissional qualificado para auxiliar nessa área é o terapeuta ocupacional. É ele que vai trabalhar para promover, manter e desenvolver as habilidades necessárias para que a criança seja funcional em todos os ambientes que integra.