Fogos de Artifício: Beleza SIM! Barulho NÃO!

Fogos de Artifício: Beleza SIM! Barulho NÃO!
17/12/2021

As festas de final de ano se aproximam e nessa época, é tradição soltar fogos de artifício que enfeitam o céu e chamam atenção de todos. No entanto, é preciso ter atenção quanto ao uso desses artefatos para que as festas não acabem por se tornar incômodos e até tragédias. 

Além de serem perigosos e exigirem uma série de cuidados técnicos no seu manuseio para não colocar em risco a vida, é preciso ter em mente que o impacto do estampido causado pelos fogos de artifício, afeta diretamente pessoas com doenças neurodegenerativas, crianças que possuem o Transtorno do Espectro Autista (TEA), idosos, bebês, animais, entre outros. 

O barulho dos fogos pode causar um excesso de estímulo no processamento sensorial de pessoas mais suscetíveis ao estresse e à ansiedade, como idosos e crianças com TEA. Segundo a fisioterapeuta Alessandra Bombarda, a hipersensibilidade sensorial aos estímulos do ambiente pode ocasionar estresse, ansiedade, desconforto e desorganização. “O indivíduo sente-se sobrecarregado pelos estímulos que recebe e, como não consegue entender o contexto da situação, acaba tendo dificuldade para organizar sua percepção e modular sua reação a eles, apresentando choro, irritabilidade, medo ou agressividade. Essa hipersensibilidade sensorial também pode afetar outros sentidos como tato, paladar e visão”, afirma. 

A terapeuta ocupacional Francini Jacques de Souza, ressalta ainda que o som dos fogos pode sobrecarregar as crianças com TEA. “Além do som, que pode gerar uma memória traumática, há informações de todos os tipos no ambiente. Isso provoca sensação de desorganização e pode provocar esteriotipias em função da sobrecarga dos sentidos, causando desconforto e até comportamentos repetitivos e/ou agressivos. Algumas crianças podem apresentar até crises convulsivas que podem ocorrer nos dias subsequentes ao evento”. 

 No caso dos idosos, os mais afetados são aqueles que possuem declínio ou alterações cognitivas, que não entendem as comemorações ou não participam delas efetivamente. “Os idosos geralmente têm uma rotina mais organizada, deitam mais cedo. Quando acordam agitados e desorientados com os estampidos, podem perder o sono, aumentando os riscos de queda noturna”, afirma a fisioterapeuta Cristiane Moro. 

Outro problema é o uso excessivo de medicações indutoras de sono como forma de evitar os transtornos, o que pode levar a alterações de comportamento, de questões fisiológicas e até sociais, causando inclusive, alterações na saúde. “O uso excessivo desse tipo de medicação faz com que os efeitos perdurem e se acumulem, desencadeando uma cascata de eventos que pode ser altamente prejudicial para o bem estar e qualidade de vida do idoso”, completa. 

Adotando algumas estratégias simples, é possível minimizar os danos e feitos do barulho dos fogos de artifício nesses públicos. Abaixo seguem algumas orientações selecionadas pelas profissionais para familiares e cuidadores: 

- Ajudar o indivíduo a vivenciar as comemorações de fim de ano de maneira menos sofrida, oferecendo um ambiente calmo e tranquilo; 

- Explicar e contextualizar o porquê dos fogos de artifício, mostrar imagens de shows pirotécnicos e, gradativamente, aumentar o volume para que se acostume ao barulho; 

- Explicar que o barulho vai começar e terminar em alguns minutos, bem como as ações que serão tomadas para minimizar o incômodo do som;

- Compreender as necessidades do indivíduo e respeitar os seus limites;

- Fones de ouvido ou abafadores de orelha podem ser usados para impedir que o som chegue com grande intensidade; 

- Se necessário, colocar nos fones de ouvido uma música ou um vídeo que a pessoa goste a fim de distraí-la naquele momento; 

- Procurar locais mais isolados para os minutos que antecedem a hora dos fogos também é uma alternativa.

O benefício do espetáculo dos fogos de artifício é visual e pode ser conseguido com o uso de artigos pirotécnicos sem estampido, também conhecidos como fogos de vista. O Rio Grande do Sul possui a Lei 15.366 de novembro de 2019, que proíbe a queima e a soltura de fogos de estampidos e de artifícios, que ultrapassem cem decibéis em todo o território Gaúcho. No mesmo sentido, os vereadores de Porto Alegre também aprovaram em 2020 um substitutivo de projeto de lei complementar que restringe a queima de fogos de artifício na Capital.

Apesar de serem estabelecidas multas e penalizações, na prática, o que se observa é que as ações de fiscalização, bem como ações de conscientização da população são urgentes para reduzir os danos causados às pessoas mais sensíveis aos efeitos desses artefatos. 

“Muitas famílias sofrem todos os anos com os efeitos dos fogos de artifício em seus entes queridos. É preciso que toda a sociedade se sensibilize com esse sofrimento para que juntos possamos mudar essa cultura”, afirmou o presidente do Crefito5, Jadir Camargo Lemos. 

Nessa direção, o Crefito5 inicia uma campanha de conscientização contra o uso de fogos de artifício com barulho, em defesa de todos os públicos sensíveis, conclamando os gestores municipais, empresários e a sociedade em geral a utilizarem nas comemorações de final de ano apenas fogos de efeito visual, que não emitem o mesmo estampido dos convencionais, e denunciarem as irregularidades. 

Nas comemorações desse ano pense nas inúmeras famílias que sofrem com o barulho causado pelos fogos de artifício e seja empático e solidário! 

Beleza SIM! Barulho NÃO!